A aldeia Enawenê-Nawê obedece a um plano circular característico de diversos povos indígenas do Brasil Central. As malocas residenciais, de formato retangular, são dispostas ao redor de uma ampla praça central onde ocorrem as atividades comunitárias, incluindo o jogo de headball (bola de cabeça). No centro exato da aldeia ergue-se a casa Yãkwa, construção circular que abriga as flautas sagradas e serve como palco principal das cerimônias.
As malocas são construídas com palha de buriti e possuem um corredor central que organiza o espaço interno. Cada maloca abriga uma família extensa, geralmente composta por um casal mais velho, suas filhas casadas e os respectivos maridos, refletindo o padrão de residência uxorilocal que caracteriza a organização social do povo. A disposição das casas ao redor da praça expressa espacialmente a organização clânica e a unidade da comunidade.
A casa Yãkwa é o espaço cerimonial por excelência, de acesso exclusivamente masculino, onde são guardados os instrumentos rituais e realizados os banquetes noturnos durante os ciclos cerimoniais. Sua posição central na aldeia não é casual, mas reflete a centralidade do ritual na vida Enawenê-Nawê, funcionando como o eixo em torno do qual se organizam tanto o espaço físico quanto a vida social e espiritual da comunidade.