O Salumã é um dos quatro grandes rituais do ciclo cerimonial Enawenê-Nawê, marcando a transição entre as estações e dedicado aos Enore Nawe, os espíritos celestiais. Associado à coleta de mel e à preparação para os ciclos rituais seguintes, o Salumã ocupa um lugar fundamental na organização temporal e cosmológica do povo. O nome "Salumã" foi utilizado por não-indígenas para designar o próprio povo Enawenê-Nawê até 1983, quando a autodenominação passou a ser adotada.
Durante o Salumã, a comunidade se dedica à coleta de mel silvestre, que é oferecido aos Enore Nawe como forma de manter o equilíbrio cósmico e garantir a proteção dos espíritos celestiais. O ritual estabelece uma ponte entre o período dedicado aos espíritos subterrâneos Yakairiti e as cerimônias voltadas ao plano celestial, funcionando como uma espécie de dobradiça no calendário cerimonial.
A importância do Salumã transcende a esfera ritual, pois marca também o ritmo da vida cotidiana e das atividades econômicas da comunidade. Junto com o Kateoko, compõe o par de rituais voltados aos Enore Nawe, contrastando com o Yaokwa e o Lerohi, que se dirigem respectivamente aos Yakairiti e aos Iakayreti.