A plumária dos Enawenê-Nawê é uma arte sofisticada que emprega penas de diversas aves, incluindo arara, papagaio, mutum e gavião, na confecção de ornamentos cerimoniais e adornos pessoais. Os cocares, braçadeiras e outros adereços plumários desempenham papel importante nos rituais, identificando papéis cerimoniais e expressando a relação do povo com o mundo natural e espiritual.
Uma das técnicas mais notáveis praticadas pelos Enawenê-Nawê é a tapiragem, processo pelo qual penas verdes de papagaios e araras são transformadas em penas de coloração dourada ou alaranjada. A técnica consiste na aplicação de secreções de determinadas espécies de rãs, como a Dendrobates tinctorius, sobre a pele das aves jovens, de modo que as novas penas que crescem adquirem uma tonalidade diferente da original. Para viabilizar essa prática, as aves são criadas em cativeiro na aldeia.
A arte plumária integra, juntamente com a pintura corporal e o estojo peniano olokoiri, o sistema de ornamentação corporal dos Enawenê-Nawê. A criação de aves em cativeiro e o domínio da técnica de tapiragem demonstram um profundo conhecimento da biologia animal e uma relação de longa duração com as espécies utilizadas, constituindo um patrimônio cultural de grande valor.