A aldeia Enawenê-Nawê possui formato circular com malocas retangulares ao redor de uma praça central, onde se ergue a casa cerimonial Yãkwa.
Enawenê-Nawê Encyclopedia
An encyclopedia dedicated to the preservation and documentation of the cultural, linguistic, and ethnographic knowledge of the Enawenê-Nawê people.
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Organização social baseada em clãs patrilineares e exogâmicos, com residência uxorilocal e categorias etárias que estruturam a vida comunitária.
O primeiro contato pacífico com os Enawenê-Nawê ocorreu em 1974, mediado por missionários jesuítas, com destaque para a figura de Vicente Canas (Kiwxi).
O cosmos Enawenê-Nawê é organizado em quatro níveis — celestial, terrestre, subterrâneo e um espaço infinito superior —, cujo equilíbrio é mantido pelo ciclo ritual.
Os Enawenê-Nawê não consomem carne vermelha, mantendo uma dieta baseada em peixe, mandioca, milho, mel e sal vegetal, com origem mítica no clã Anihiare.
Povo de língua Arawak que habita o noroeste do Mato Grosso, com cerca de mil pessoas, conhecido por sua rica vida cerimonial e pela proibição do consumo de carne vermelha.
Espíritos celestiais benevolentes que habitam o Eno, a aldeia perfeita no plano superior do cosmos, e são considerados os donos do mel.
Instrumentos musicais sagrados de bambu e cabaças, tocados na casa cerimonial Yãkwa durante os rituais, especialmente o Yaokwa.
Sistema de rotação bianual no qual os clãs alternam entre os papéis de Harikare (anfitriões) e Yaokwa (pescadores), espelhando a reciprocidade cósmica.
A construção de dezenas de hidrelétricas na bacia do rio Juruena ameaça os recursos pesqueiros e o patrimônio cultural imaterial dos Enawenê-Nawê.
Ritual dedicado aos espíritos celestiais Enore Nawe, associado à coleta de mel e marcado por festas de caráter descontraído.
Ritual de abertura e plantio das roças coletivas de mandioca, associado aos espíritos Iakayreti e marcado por cânticos noturnos.
Alimento básico dos Enawenê-Nawê, a mandioca possui dimensão simultaneamente nutricional, social e cosmológica.
Atividade econômica e ritual fundamental, sendo o mel a principal oferenda aos espíritos celestiais Enore Nawe.
Estojo peniano confeccionado em palha de buriti, utilizado a partir da adolescência e de origem mítica vinculada ao clã Anihiare.
Sistema de pintura corporal que utiliza urucum para o uso diário e jenipapo para ocasiões cerimoniais, com padrões que mudam conforme as fases da vida.
Arte plumária elaborada com penas de arara, papagaio e mutum, incluindo a técnica de tapiragem que transforma penas verdes em douradas.
Oferenda central aos espíritos Yakairiti, produzida por meio de um trabalhoso processo de queima e filtragem de plantas aquáticas.
Ritual de transição entre estações dedicado aos espíritos celestiais Enore Nawe, historicamente associado ao nome pelo qual o povo foi conhecido até 1983.
Especialistas rituais que detêm o conhecimento musical e cerimonial, fundamentais para a transmissão dos saberes tradicionais.
Especialistas espirituais que viajam ao plano celestial por meio de sonhos e transes, atuando como mediadores entre os mundos humano e espiritual.
Território de 742.088 hectares no noroeste do Mato Grosso, abrangendo os rios Juruena e Ique, demarcado com exclusão de áreas sagradas importantes.
Engenhosas barragens de pesca construídas com troncos entrecruzados e armadilhas cônicas, fundamentais para o ritual Yaokwa.
Espíritos subterrâneos de fome insaciável que habitam o Ehatekoyoare e são considerados os verdadeiros donos dos recursos naturais.
Principal ritual do ciclo cerimonial Enawenê-Nawê, com duração de aproximadamente sete meses, inscrito como Patrimônio Cultural Imaterial pela UNESCO em 2011.