Uma das características mais marcantes dos Enawenê-Nawê é a proibição do consumo de carne vermelha, restrição alimentar que os distingue da maioria dos povos indígenas da região. Sua dieta é baseada em cinco alimentos principais: peixe, mandioca, milho, mel e sal vegetal. Essa proibição possui origem mítica, sendo atribuída ao clã Anihiare, cujas narrativas fundadoras estabeleceram as regras alimentares que o povo segue até os dias de hoje.
A interdição da carne vermelha não é uma simples preferência, mas um imperativo cosmológico que estrutura a relação dos Enawenê-Nawê com o território e os recursos naturais. A dependência do peixe como principal fonte de proteína animal torna as barragens de pesca (waitiwina) e os rios do território absolutamente essenciais para a sobrevivência física e cultural do povo. Cada alimento da dieta está associado a um conjunto de práticas rituais e relações com espíritos específicos.
Essa particularidade alimentar torna os Enawenê-Nawê especialmente vulneráveis aos impactos de hidrelétricas na bacia do rio Juruena, que afetam a migração dos peixes e comprometem a eficácia das técnicas tradicionais de pesca. A ameaça aos recursos pesqueiros não é apenas uma questão econômica, mas uma ameaça direta ao sistema cosmológico e ritual que depende da oferta de peixe defumado aos espíritos Yakairiti.