A Coleta de Mel

Atividade econômica e ritual fundamental, sendo o mel a principal oferenda aos espíritos celestiais Enore Nawe.

A coleta de mel silvestre é uma das atividades mais importantes na vida dos Enawenê-Nawê, tanto do ponto de vista econômico quanto cerimonial. O mel é considerado propriedade dos Enore Nawe, os espíritos celestiais benevolentes, e sua coleta ocorre durante a maior parte do ano nas florestas do território indígena. Como oferenda principal dedicada aos espíritos do plano celestial, o mel desempenha papel análogo ao do sal vegetal e do peixe em relação aos Yakairiti subterrâneos.

O mel constitui a base dos rituais Salumã e Kateoko, os dois grandes ciclos cerimoniais voltados aos Enore Nawe. Durante essas cerimônias, os homens partem em expedições de coleta e trazem o mel para a aldeia, onde ele é compartilhado em festas que envolvem toda a comunidade. No Kateoko, a dinâmica entre homens que escondem o mel e mulheres que dançam para revelá-lo expressa a complementaridade de gênero que caracteriza a organização social do povo.

Além de sua dimensão ritual, o mel é um componente nutritivo valioso na dieta dos Enawenê-Nawê, que se abstêm do consumo de carne vermelha. Juntamente com o peixe, a mandioca e o sal vegetal, o mel compõe a base alimentar de um povo cuja relação com os recursos naturais é mediada por uma complexa teia de obrigações rituais e cosmológicas.

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